Reforma da GT Karakoram

Estou publicando as fotos da reforma da minha GT Karakoram 1995, com quadro de cromo-molibdênio. A reforma demorou quatro meses, desmontei em 3 de março de 2014 e dei minhas primeiras voltas em 1.o de julho. Algumas pessoas me perguntam se vale a pena fazer uma reforma dessa, então vou começar respondendo: em geral não. Especialmente no Mountain Bike (MTB), tudo tem evoluído muito depressa, e o próprio quadro já está bastante desatualizado, pois hoje em dia tudo está diferente e melhor. O que mudou da minha GT para os dias atuais? Bom, a geometria está totalmente diferente, todos os comprimentos, alturas, ângulos e fixações de freios – que viraram a disco hidráulico mudaram. O curs. da suspensão, tamanho das rodas. As peças também mudaram completamente, até a bomba de encher o pneu defasou. Nos padrões de hoje, a minha GT talvez nem deva ser considerada uma Mountain Bike, basta ver a facilidade com que as mais modernas vencem os obstáculos.

GT Karakoram 1995 totalmente reformada

GT Karakoram 1995 totalmente reformada. A pintura do quadro ficou ótima, um trabalho de mestre, com a marca GT feita à tinta, sem adesivo.

Mas então, por que reformar? Primeiro, porque o quadro é de cromo-molibdênio de altíssima qualidade, muito leve. Ele continua do jeito que saiu da fábrica da GT em 1995, e uma vez pintado, voltou a ficar como novo. Esse quadro vai durar mais do que eu nesse mundo, especialmente porque é super-dimensionado para aguentar as trilhas e eu só uso no asfalto. Outro motivo para a reforma é que eu gosto dessa bike. Gosto especialmente porque ela é muito compacta, por causa das rodas de 26. Não é que eu não goste do progresso, gosto sim, das MTB modernas. Mas a GT me satisfaz para o uso na cidade e a reforma saiu mais barata do que a compra de uma MTB nova. Costumo dizer que essa GT é como as Fixies (bikes com uma marcha só, sem catraca e muitas vezes sem freios): cheia de defeitos, mas com muita personalidade. E os detalhes de acabamento que coloquei tornaram ela mais parecida ainda com esse estilo urbano chique.

Mesa, guidão, manoplas, cabos, tudo foi trocado.

Mesa, guidão, manoplas, cabos, tudo foi trocado.

A mesa é um Control Tech, mantive o mesmo comprimento de antes, 130 mm, mas coloquei 5 graus de ângulo, ao contrário do anterior que era zero. Ganhei um pouquinho de altura. Eu já me sentia confortável antes, mas como era muito baixa, achei que ganharia um pouco de conforto em longas distâncias subindo um pouco.

A GT vista de frente: o guidão é um Easton de alumínio, flat. Bom custo-benefício.

A GT vista de frente: o guidão é um Easton de alumínio, flat. Bom custo-benefício.

O guidão, continua sendo reto, mas seguindo a tendência atual, é mais grosso, de 31,8 mm de diâmetro. Tirei os bar ends e deixei o guidão mais largo, passando de 53 cm para 58 cm de comprimento. Em geral, o pessoal que pedala longas distâncias prefere ter os bar ends para variar a posição das mãos. Já o pessoal que só faz trilhas prefere não ter. Modernamente, a maioria dos que andam de MTB não usa bar ends, preferindo ter as mãos perto dos freios e câmbios o tempo todo. Resolvi deixar sem os bar ends por enquanto, mas confesso que estou estranhando. Vamos ver…

O câmbio traseiro é um XT shadow, com rolamentos nas roldanas.

O câmbio traseiro é um XT shadow, com rolamentos nas roldanas.

Foi trocada toda a transmissão, passando de 24 marchas para 27. Desse modo, foram substituídos a catraca, corrente, pedivela, câmbio traseiro e os passadores. A relação é 11-34 atrás e 48-36-26 na frente, que é longa o suficiente na estrada e curta para escalar qualquer parede. Até agora, com 300 km rodados, nunca usei a pequena. A grande, só em descidas longas. O legal dessa relação de marchas é que a coroa do meio que era de 32 dentes aumentou para 36, alongando um pouco. Eu uso praticamente o tempo todo a coroa do meio.

Detalhe do terminal do cabo de aço e dos suportes em alumínio torneado. O terminal veio dos EUA e os suportes vieram Inglaterra...

Detalhe do terminal do cabo de aço e dos suportes em alumínio torneado. O terminal veio dos EUA e os suportes vieram da Inglaterra…

Para combinar os detalhes em dourado, instalei essas pecinhas nos cabos de aço, o suporte de garrafa dourado, as manoplas com detalhes em dourado e os espaçadores em poliuretano. Encareceu um pouco, mas serviu de motivação para montar a bike…

Espaçadores em poliuretano, espero que aguentem o tranco...

Espaçadores em poliuretano – espero que aguentem o tranco…

Esses espaçadores de poliuretano me deixaram em dúvida, especialmente porque costumo usar muito as minhas bikes. Como o suporte do cabo de freio dianteiro apóia nesses espaçadores, fiquei receoso de não aguentarem. Mas até agora, tudo bem.

Veja a ferrugem: estava mesmo precisando de uma pintura.

Veja a ferrugem: estava mesmo precisando de uma pintura.

Tirando o quadro e as rodas, todo o resto caberia em uma sacola de compras...

Tirando o quadro e as rodas, todo o resto caberia em uma sacola de compras…

A GT desmontada - Início das reformas.

A GT desmontada – Início das reformas.

Veja pelas últimas fotos, que após 18 anos de uso, a GT estava bastante danificada, com diversos pontos de ferrugem e o visual envelhecido. Com cerca de 35.000 km rodados, ela já havia passado por duas reformas anteriores, mas sem pintura, apenas com trocas de peças. Desta vez, as peças também já estavam desgastadas, como o câmbio traseiro com jogo, as roldanas desgastadas, o passador de marchas com o parafuso de ajustes espanado, o guidão e as manoplas com sinais de muito uso e as coroas já com dificuldade de se achar para reposição. A corrente também já estava gasta.

Fiz toda a montagem eu mesmo. As rodas também montei eu mesmo há alguns anos. Então, posso dizer que apertei pessoalmente todos os parafusos dessa bicicleta.
Para finalizar a reforma, instalei novos faróis USB e um ciclo computador wireless. Coloquei o odômetro em ZERO QUILÔMETRO. Afinal, depois dessa reforma, ela passou mesmo a ser como nova. Daqui a mais 35.000 km eu reformo de novo e então venho contar aqui outra vez.

Obrigado pela atenção.
Um abraço

Quase tanto quanto um carro…

fevereiro 24, 2014 Deixe um comentário

Minha quilometragem média anual de bike tem ficado em torno de 5.000 km. De carro, cerca de 8.500 km, mesmo dirigindo diariamente.

Se houvesse uma via decente para a bicicleta, essa minha quilometragem facilmente dobraria, pois deixaria de usar o metrô.

É mesmo um veículo fantástico, não? Só faltam as vias!

Um abraço.

Cálculo dos 1000 Km em 1 Hora

Tem um cálculo interessante que podemos fazer: se você tiver anotado a quilometragem do ano, para cada 1.000 Km, a quantidade de horas que fez de pedal por semana é de aproximadamente UMA hora.

Veja:

1.000 Km / 52 = 20 Km por semana (aproximadamente, considerando que o ano tem 52 semanas)

20 Km = Uma hora de pedal (aproximadamente)

Se você é um atleta que pedala apenas speed em pistas, é necessário ajustes, pois vai estar na maior parte do tempo acima de 30 Km/h. Mas se pedala na cidade, ciclovia, estrada, em terreno variado, esse cálculo será bastante aproximado.

Outra utilização seria no sentido contrário: você sabe que pedalou mais ou menos quatro horas por semana. Quantos quilômetros fez no ano? Aproximadamente 4.000 km. Hora de trocar a corrente…

Espero que seja útil, ah ah…

Um abraço.

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Feliz 2014 !!!

Planeta Terra vista da órbita da Lua (Foto: NASA)

Planeta Terra vista da órbita da Lua (Foto: NASA)

Essa bela foto foi tirada por um astronauta da Apollo 8 orbitando a Lua em 1968.
Essa foto representa bem o meu atual estado de espírito, voltado à preservação da natureza. Estou reescrevendo a minha mensagem a pedido das minhas crianças.
Feliz 2014 !!!

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Fita antifuro corta a câmara?

novembro 17, 2013 2 comentários
Fita antifuro e a câmara cortada (Foto: Paulo Ciclista)

Fita antifuro e a câmara cortada (Foto: Paulo Ciclista)

Fita antifuro corta a câmara? Definitivamente, SIM! A foto mostra a segunda vez em que isso ocorreu, apesar de ter sido cuidadosamente instalada em pneus e câmaras diferentes. Quanto à fita, era adequada ao pneu 1.5 slick, como se pode ver pela comparação com a câmara de ar. O que me surpreendeu com o corte é que as bordas da fita são desbastadas pela fábrica e são extremamente macias. Não pensei que fossem capazes de cortar a câmara. Os pneus foram calibrados com pressão alta para esse pneu, em torno de 60 libras/pol2.
Resolvi fazer este post porque existe muita discussão nos forum a respeito. Parece haver mais casos de pessoas com câmaras cortadas pelas fitas, ao lado de pessoas extremamente satisfeitas com o produto e também pessoas que tiveram o pneu furado por outros objetos cortantes que não a própria fita. Esse último grupo não me preocupa, pois pelo jeito que a fita é grossa, estou convencido de que ela de fato diminui a quantidade de furos.
Eu poderia simplesmente retirar a fita e esquecer o assunto, mas não quero fazer isso porque é realmente importante para mim diminuir a quantidade de furos. Neste ano, já tive dezesseis furos de pneu e isso causa atrasos nos compromissos. Na verdade, como sou apaixonado por mecânica, nem me importo de consertar, o problema é o tempo.
Meus próximos passos:
Atualmente, a minha MTB GT com pneus slick 1.5, está com fita antifuro apenas no traseiro, porque o dianteiro é o que se vê na foto e foi retirado. Estou um pouco receoso que aconteça o mesmo tipo de corte com o traseiro, pois já aconteceu uma vez. Mas vou deixar assim mesmo, pois confirmo de vez a teoria de que essa fita causa problema. Ao mesmo tempo, pretendo modificar a fita e instalá-la novamente na dianteira. Note que a fita foi desbastada de fora para dentro e isso, teoricamente, tenderia a deixar a emenda da fita mais alta no lado de dentro. Note que eu disse teoricamente, pois a fita é tão macia que não se nota tal desnível. Modificando desse modo, a tendência é que fique mais lisa no lado de dentro, que é onde a câmara fica.
Um segundo teste que pretendo fazer, caso o primeiro falhe, é colocar um remendo na câmara, bem no local onde vai ficar a junção da fita. Não gosto dessa ideia, pois poderia significar remendar uma câmara novinha em folha.
Um terceiro teste é tentar uma fita antifuro de outra marca.
A julgar pelo pequeno número de ofertas desse produto e também pelos poucos ciclistas que o utilizam, não tenho a certeza de que funcione mesmo, nem que a fábrica o tenha testado de forma exaustiva. Mas vou continuar tentando porque por enquanto acredito na sua eficácia e porque, especialmente na rodovia, tem furado pneu demais.
Agradeço por qualquer dica.
Um abraço.

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Kit Pequeno e Kit Grande

Kit pequeno à esquerda da caneta esferográfica e o kit grande à direita

Kit pequeno à esquerda da caneta esferográfica e o kit grande à direita (Foto: Paulo Ciclista)

Montei um kit pequeno para usar na minha speed, para percursos civilizados como Ciclovia Rio Pinheiros, USP e Ciclofaixa. Uso o kit grande para pegar a estrada.
O kit grande pesa 150 g a mais que o kit pequeno, e é bom para aquelas situações em que você REALMENTE pretende usá-lo. É o caso das estradas, onde se espera normalmente um furo de pneu ou até mais. Nessas situações, é bom ter um kit mais confortável de usar, com uma bomba maior, cola tradicional, corta-corrente e chave de raio.
Uma curiosidade é que nesses mais de 20 anos de pedal, o kit pequeno teria me trazido para casa em TODAS as situações, motivo pelo qual resolvi montá-lo. O kit pequeno tem todos os Allen necessários, incluindo o de 8 mm para os pedivelas de eixo quadrado. Tem também uma chave de fenda para a regulagem do câmbio.
Para alguns, carregar esse kit exíguo é viver perigosamente, para um ganho de peso insignificante. O pior é que até concordo com eles. Mas vale pela brincadeira de tentar voltar para casa com um mínimo de equipamento e de usar as tecnologias existentes. Afinal, não é tudo apenas uma grande brincadeira? Outra coisa é que, em se tratando de speed, existe a tradição de se manter o peso no mínimo possível.

Os kits tên as seguintes características:

Kit grande:
Multitool: Crank Brothers Multi-17
- Allen 2, “2,5″ , 3,4,5,6,8
- Chave de fenda e Philips
- Cortador de corrente
- Chave de raios 0,1,2,3
- Chave Torks t-25
- Peso: 168 g

Bomba: Lezyne Road Drive
- Mangueira de rosquear no bico
- 23 cm
- 160 psi
- Peso: 96 g

Kit de remendos:
- lixa + cola + remendos a frio + caixa de plástico

Kit pequeno:
Multitool: Park Tool IB-11
- Allen 3,4,5,6,8
- Chave de fenda
Peso: 66 g

Bomba: Blackburn AirStik SL
- 16 cm
- 59 g
- 160 psi (dado do fabricante, não dá isso de jeito nenhum…)

Kit de remendos:
- remendos sem cola Lezyne com 6 remendos e raspador de metal

O que o kit pequeno NÃO resolve:
- Corrente quebrada (raro, especialmente se trocar dentro dos 1 % de desgaste)
- Raio quebrado (raro, dependendo do peso do ciclista, estilo e terreno)

Diferença de peso: 150 g
Diferença de volume: o kit pequeno cabe em bolsa de selim pequena, inclusive a bomba. A bomba pode ser levada também no bolso da camisa. O kit grande precisa de bolsa grande de selim, sendo que a bomba vai presa ao quadro.

Em ambos os kits, acrescento as alavancas para desmontar o pneu e uma câmara de ar de reserva (são as partes mais importantes do conjunto, ah ah…)

Observação final para os amigos: Desde já peço as suas coisas emprestadas, caso me falte alguma coisa,  quando eu estiver com o kit pequeno…

Um abraço.

O que fazer se tiver duas horas livres?

março 2, 2013 2 comentários

Represa Billings - São Paulo (Foto: Paulo Ciclista)

Represa Billings – São Paulo (Foto: Paulo Ciclista)

Se por sorte lhe sobrarem duas horas, por exemplo das 6 às 8 no sábado, veja se não dá para pegar uma estrada. Se a bike estiver em ordem e as pernas idem, duas horas lhe permitem percorrer aproximadamente 50 km, o suficiente para sair bastante da cidade. Deixo essa dica porque às vezes se pensa que é preciso mais tempo, meio dia ou um dia para pegar uma estrada. Digo que duas horas são suficientes para um pedal muito bom, sentar-se dez minutinhos à beira da represa, comer uma fruta e voltar.
Em geral esses pedais de improviso são solitários, pois para juntar a turma, perde-se fácil meia hora ou mais. Mas será que é perigoso pegar a estrada sozinho? Olha, acredito que os maiores perigos estejam mesmo dentro da cidade (os carros)…mas pedale por rodovias que conhece.
Um abraço.

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