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Como fazer uma ciclovia de verdade


Atenção (17-nov-2011): Atenção: A legislação mudou no japão no sentido de restringir o tráfego de bicicletas na calçada. Mas é permitido, no entanto, para idosos e crianças. De qualquer modo, a maioria pedala na calçada mesmo assim, por achar perigoso andar junto com os carros.

Artigo Original:
Gostaria que desse uma olhada nessa calçada da Rua Borges Lagoa na zona sul de Sâo Paulo. Nunca foi alardeada como sendo ciclovia e de fato não é, mas não dá vontade de pedalar nela? É muitíssimo bem feita e com rebaixamento em todas as travessas por muitos quilômetros.

Ótimas guias rebaixadas. A prefeitura tem rebaixado guias por toda a cidade, já é um bom começo.

Em alguns países como o Japão, as calçadas são compartilhadas entre os ciclistas e os pedestres. Embora nem sempre tenha sido assim, as autoridades de lá preferem que as bicicletas trafeguem nas calçadas, pois seria bem mais perigoso nas ruas com os carros. É de senso comum por lá que as bicicletas têm características mais de pedestres que de carros pela sua baixa velocidade e fragilidade. Por que estou dizendo isso? Porque essas calçadas na Rua Borges Lagoa sao bem feitas e até melhores que as usadas no Japão! E por lá as bicicletas são totalmente viáveis, sendo usadas diariamente. Faço diversas perguntas para tentar entender por que aqui não dá certo: 1) Por que nossas bicicletas trafegam nas ruas junto com os carros? 2) Por que as ciclovias precisam ser separadas das calçadas? 3) Por que as nossas ciclovias ligam sempre nada a lugar nenhum? 4) Para que tipo de ciclistas são feitas as nossas ciclovias?

Minhas respostas:  resposta 1) Talvez alguns ciclistas esportivos que gostam de correr muito prefiram as ruas e a nossa legislação vai nesse sentido (Código de Trânsito Brasileiro). Mas esse tipo de utilização da bicicleta é para poucos em São Paulo. É nítida a diferença entre o perfil dos ciclistas das cidades do Japão com o perfil dos nossos ciclistas de rua: por lá as bicicletas são usadas por senhoras fazendo compras e crianças indo para a escola pedalando bem lentamente. Pelo menos em São Paulo, vejo pessoas pedalando na rua bem mais rápido, quase acompanhando o fluxo dos carros. Seria bem mais seguro pedalar na calçada mas nossas calçadas são horríveis, cheias de obstáculos. E teria que ser devagar por causa dos pedestres; resposta 2) As ciclovias não precisam ser separadas das calçadas, especialmente em locais com pouco espaço como São Paulo. Basta melhorar as calçadas; resposta 3) Porque as nossas ciclovias são feitas para serem usadas apenas nos fins de semana. Precisamos levar as bicicletas de carro até a ciclovia o que é um absurdo; resposta 4) Essa seria a primeira pergunta a ser respondida por quem faz as ciclovias. Mas com certeza não são feitas para os trabalhadores, estudantes ou donas de casa usarem durante a semana, pois as ciclovias não estão onde essas pessoas precisam.

Estacionamento de bicicleta no Japão – Lotado

Acredito que se existissem mais dessas maravilhosas calçadas como  na Rua Borges Lagoa, a utilização compartilhada entre ciclistas e pedestres seria uma consequência natural. Eu mesmo já pedalei nessas calçadas para fugir do trânsito inúmeras vezes e a convivência com os pedestres foi absolutamente pacífica e cordial.

Veja também: A Bicicleta no Japão – Enviada por uma ciclista da cidade de Nagoya

Um abraço.

  1. Marcelo V. Castelucci
    abril 27, 2011 às 4:34 pm

    Bem, eu sempre ando na “ciclovia” da Borges Lagoa. Pedalar nesta rua com os ônibus te empurrando é complicado.

    Abraços.

  2. mauricio
    abril 28, 2011 às 11:51 am

    EM PRIMEIRO LUGAR UMA CICLOVIA TEM QUE SER 24 HORAS TODOS OS DIAS , CICLOVIA É PARA QUEM QUER IR TRABALHAR DE BIKE, COMO PARA QUEM PRATICA O ESPORTE TAMBEM , NO CASO AQUI DA ZONA LESTE A CICLOVIA E 24 HORAS MAIS TEM UM PROBLEMA ELA COMEÇA EM ITAQUERA E VAI SOMENTE ATE O TATUAPÉ , DEVERIA IR ATE O CENTRO TENHO CERTEZA QUE MUITA GENTE IRIA USA-LA PARA IR DE BIKE PARA O TRABALHO , OUTRO DETALHE A RADIAL LESTE É PLANA IRIA SER UMA MARAVILHA MESMO PARA QUEM NÃO PEDALA MUITO ACHO QUE IRIAM COMEÇAR A PEDALAR .FIM

  3. novembro 17, 2011 às 11:00 am

    Atenção: A legislação mudou no japão no sentido de restringir o tráfego de bicicletas na calçada, sendo permitido no entanto para idosos e crianças. Mas muita gente parece pedalar na calçada mesmo assim, por achar perigoso andar junto com os carros.

  4. Carlos
    dezembro 14, 2012 às 9:06 am

    O grande problema de utilizar as calcadas mais uma vez e a educacao e cidadania das pessoas em nossas cidades, infelizmente geralmente as pessoas nao tem nem uma, nem outra. Tambem sou ciclista e muitas vezes compartilho as calcadas com os pedestres justamente por causa da falta de educacao e cidadania dos motoristas de outros veiculos, sempre com muito cuidado e dando sempre a preferencia aos pedestres; porem nao e isto que vejo no dia-a-dia, normalmente o ciclista ou as vezes ate mesmo o motociclista quer utilizar a calcada como via achando que somente ele tem direito aquele espaco e e o pedestre que deve desviar(ou sair da calcada) para que ele a tenha livre para fazer o que bem entender. Devido a este estado de evolucao de nossa sociedade a proibicao do transito de bicicletas e quaisquer outros veiculos sobre as calcadas e imperativa, inclusive deveria ser melhor fiscalizada com multas e apreensao dos veiculos daqueles que desobedecem a legislacao. Infelizmente esta e a nossa realidade. Pode-se dizer que os bons pagam pelos maus, mas e exatamente isso; como a maioria nao tem condicoes de agir civilizadamente nao se pode abrir precedente. Nao da para comparar a educacao e cidadania do cidadao japones com a nossa, esta a anos-luz de distancia. Quanto aos que utilizam as calcadas para o transito de biciletas por falta de opcao deixo aqui a regra de um ciclista experiente: a preferencia e sempre do pedestre, passe sempre com uma distancia de pelo menos 2 metros do pedestre, caso a calcada nao permita esta distancia saia da mesma e de preferencia ao pedestre e ande devagar, o pedestre pode mudar de direcao rapidamente e o ciclista deve estar em uma velocidade que o permita parar, desviar ou sair da calcada para evitar a colisao ou aproximacao demasiada com o pedestre.

  5. dezembro 14, 2012 às 11:27 am

    Olha Carlos, acho que tem problemas de educação e também estruturais. Desculpe falar primeiro disso, mas queria explicar o contexto. Um exemplo de problema estrutural que precisa ser resolvido pela prefeitura e CET é a altíssima velocidade dos carros nas ruas. Por exemplo, na Av. Jabaquara em São Paulo, o limite é de 60 km/h. Com os carros andando a essa velocidade, não é possível a convivência segura com o ciclista, forçando mais ciclistas para a calçada. Precisaria ser baixado para 40 km/h no máximo. Uma coisa que reparei quando acabei de chegar no Japão foi a calma e o silêncio das ruas de lá. Depois é que fui entender que os carros andam mais devagar. Veja neste link explicando a velocidade dos carros no Japão: http://en.wikipedia.org/wiki/Speed_limits_in_Japan. Analise cada número e você vai perceber que o pessoal dirige muito devagar. Mesmo que os problemas estruturais sejam resolvidos, existe ainda o problema da educação: os motoristas podem ser corrigidos por policiamentos e multas. Mas e os ciclistas e pedestres? Não deveria haver policiamento e multa neles? A experiência mostra que as multas que doem no bolso funcionam muito bem, veja por exemplo a utilização do cinto de segurança e capacete de moto no Brasil, todo mundo usa. Acho que o ciclista não deve passar dos 10 km/h na calçada em nenhuma hipótese. Essa é a velocidade de uma pessoa correndo a velocidade moderada. Os pedestres caminham a 5 km/h. Uma pessoa trotando devagar está a 7 km/h. Às vezes pedalo por quilômetros por calçadas congestionadas de gente e nunca, nem uma vez, reclamaram de mim. A minha velocidade é baixa, de tal modo que mesmo que uma pessoa saia de uma porta de repente e trombe em mim, não teria grandes consequências para nenhum dos dois. Rapaz, termino dizendo que tenho muita raiva dos ciclistas que correm na calçada. Eu pedalo do jeito que você falou. Acrescente um número na sua instrução: 10 km/h no máximo. Agradeço muito a sua paciência de escrever, dividindo as suas idéias com a gente.
    Um abraço.

  1. dezembro 7, 2012 às 7:28 am

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