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Como mudar as marchas de forma econômica


Tabela de relação de marchas Shimano XT 2011

Existe muito artigo explicando como utilizar as marchas da bicicleta mas resolvi escrever este sobre como fazê-lo de forma econômica. Talvez me chame de pão-duro por isso mas acho que faz sentido o artigo. Recentemente fui a uma bicicletaria e o mecânico me disse que às vezes chega bicicleta com somente a última catraca desgastada, sendo que todas as outras ainda estão boas.  Eu lhe disse que isso nunca aconteceu comigo e que minhas catracas desgastam-se mais ou menos por igual. Existe um método de troca de marchas que faço quase que instintivamente e isso explica o fato. Dependendo do caso, é possível mais do que duplicar a durabilidade da catraca, que é um dos  itens de manutenção mais caros da bicicleta:

1) Usar as relações de marchas repetidas:

Veja na figura as áreas verde e vermelha e note como as relações de marcha se repetem. Considerando que normalmente estamos na coroa de 32 dentes (Veja o artigo Qual a melhor cadência? Qual a transmissão ideal?), a idéia é mudar de coroa sempre que se chega nessas catracas (11,13 ou 30,34). Se chegar na área vermelha, muda-se para a coroa pequena. Se chegar na área verde, muda-se para a coroa grande. É que as relações de marcha se repetem e então mudando dessa forma se economiza a coroa do meio que é a que mais se desgasta. Ao mesmo tempo se economiza as duas catracas menores. Outra forma de dizer a mesma coisa seria: com a coroa do meio, evitar de usar as duas catracas menores e as duas catracas maiores. Como essas relações de marchas repetem-se nas outras coroas, pode-se usar as que raramente são acionadas, economizando a coroa do meio. Além disso, as duas catracas menores vão ser muito economizadas porque quando se usa a coroa grande, usa-se para a mesma relação as catracas 15 e 17.  A economia normalmente não é grande na área vermelha da tabela, mas quem trafega muito em estrada de terra ou região montanhosa pode utilizar a coroa menor mesmo que cruze um pouco mais a corrente, economizando assim a coroa do meio.

Isso pode parecer complicado mas na verdade é muito simples. Eu tenho trocado as marchas dessa forma e minhas catracas ficam com desgaste uniforme, é difícil ver qual delas está mais desgastada que as outras. Como eu disse, isso economiza também a coroa do meio.

Para incentivar um pouco, segue o preço das peças:

– Catraca XT (11-34)= R$ 270,00

– Coroa de 32 dentes XT = R$ 125,00

– Corrente XT = R$ 100,00

– Pneu (só para referência) Maxxis Kraken Kevlar = R$ 95.00 cada

2) Não cruzar a corrente:
Os ciclistas com algum tempo de pedal já sabem que não devem “cruzar a corrente”. Explicando, isso significa que não se deve usar combinações de marchas que façam a corrente ficar demasiatamente na diagonal. Por exemplo, coroa pequena (que fica em posição mais interna) com as catracas menores (que ficam em posições mais externas). Do mesmo modo, não se deve usar a coroa grande com as catracas grandes. O motivo de não se cruzar as marchas é que a corrente e as roldanas do câmbio traseiro sofrem com essa tensão na diagonal.

Ah. . .limpeza da transmissão e óleo do bom (Finish Line) também ajuda. . .

Um abraço

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Categorias:Técnica
  1. Paulo Stollar
    março 23, 2011 às 6:33 pm

    Paulão,

    para apimentar a discussão, segundo o renomado mecânico de Bikes Marcelo Lovece, da Central de Serviços, atualmente a questão “Não cruzar a corrente” deixou de ser uma restrição e, ao contrário, passou a ser adotada por atletas da Elite como: Mauro Roma e Adriana Nascimento.

    A idéia por trás disso, é evitar que a corrente da bike saia, quando você precisa fazer uma redução brusca na relação de marchas. Imagine que você está numa descida utilizando a relação 44×11, e tem um paredão pela frente, então, você utilizaria a relação 44×30, ou até mesmo a 44×34 sem problemas.

    Outra inovação que ele comentou, é que estão utilizando corrente de 10v em relação de 9v, para aumentar a precisão e durabilidade da relação. Disse que a Adriana Nascimento fez isto no Claro Ride e, não teve nenhum problema com a relação da sua bike na prova inteira.

    Abrs.

  2. março 28, 2011 às 6:28 am

    Interessante, Paulão. Bem lembrado sobre essa utilização cruzada de marchas. Tinha lido em uma avaliação recente dos câmbios de 10 marchas (10 x 3) da Shimano que eles consideram ok o uso cruzado. Na verdade, tenho feito frequente uso disso mas em situação contrária à descrita por você para a Adriana: quando estou subindo uma subida muito íngrime (mesmo) na coroa pequena e atinjo o cume, não troco imediatamente para a do meio mas ao invés disso vou trabalhando com a catraca até atingir certa velocidade. Isso porque a troca da coroa pequena para a média nessa situação faria perder tempo, é mais fácil depois que a velocidade aumenta. O uso eventual de marchas cruzadas nunca foi problema, pois os câmbios são projetados e regulados para que todas as 27 (ou 30) marchas funcionem, cruzados ou não. Numa utilização extrema e que não acontece na prática com a corrente cruzada o tempo todo, eu diria que aumenta logicamente o desgaste da corrente e da polia, pois o esforço fica mais concentrado em um dos lados. Concluindo então, a quantidade de comentários ainda é maior no sentido de que você poupa a transmissão se não cruzar demais a corrente.

  3. Leonardo
    janeiro 1, 2017 às 4:04 pm

    Observa-se que os valores das relações não são idênticos, mas parecidos. Qual seria a tolerância máxima admitida para que se considere as relações equivalentes?

    • janeiro 1, 2017 às 5:29 pm

      Acredito que nas speedy essa tolerância seja menor porque cada marcha é mais próxima que nas MTB. Nas competições de alto nível, é de se esperar uma maior atenção à relação de marchas também, basta ver a quantidade de opções nos grupos top de linha. Um ciclista normal dificilmente perceberia 3%, por exemplo. 8% seria de 13 para 14 dentes e isso já é bem perceptível.

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