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2011.10.16 – 50 km + 50 km sob chuva torrencial


Pedalando na chuva (Foto: Gatti Domingos)

Após este artigo, os leitores vão me abandonar e os amigos vão tentar me internar. Eu não nasci de bicicleta, eu não era assim. Mas me diz o que é que eu tenho de mal (Paralamas, não me copiem. Paralamas, para que eu te quero na bike…)

No fim de semana passado, choveu no sábado e no domingo quase o dia todo. Mas pedalei um monte mesmo assim, a quilometragem total passou dos 100 km, o tempo todo debaixo de chuva torrencial.

Mas por que sair para pedalar desse jeito? Bom, acho que não é para qualquer biker, mas é para aqueles que estão tão acostumados à rotina de exercícios que ficaria chateado de ficar muitos dias sem pedalar. Ficar no sábado e domingo sem pedalar significa muitas vezes ficar duas semanas sem um pedal decente. É também para aqueles que não têm ou não gostam de rolo de treinamento. Quanto a mim, a chuva não me segura em casa. É um dia tão bom quanto qualquer outro, acho até melhor que pedalar sob sol forte de meio-dia.

Os perigos:

– Piso escorregadio: é o meu maior medo, aquelas ciclovias pintadas ficam muito perigosas especialmente nas curvas e também na hora de frear.  Aquele lodo embaixo das árvores também não merece confiança. Aquelas flores no chão também. Acredite em mim só desta vez:  já vi  um ciclista cair feio em uma curva de ciclovia e bater o capacete no chão. Eu mesmo já levei dois sustos com o pneu escorregando, não dá tempo nem de tirar o pé do pedal. Na última vez, minha bike deitou. Foi um meio tombo praticamente parado, indo com todo o cuidado e com os pés fora do clip. Amassou o lanche mas não doeu nada. Parece que quando a frente da bike vai embora, a tendência é bater a parte de trás da cabeça. Dá para imaginar, né? Capacete bem ajustado é tudo.

Hipotermia: com o tempo só um pouco frio , consigo pedalar umas duas horas sem problema. Se estiver muito frio e chovendo, não dá. Isso por que sempre se molha um pouco. Quando volto, jogo as roupas em um saco plástico na entrada de casa. O pessoal já está acostumado a me ver chegar assim.

– Visibilidade ruim: você não enxerga direito. Não lhe vêem também. É melhor andar em lugares mais vazios e de luzes acesas. Roupas claras são de vital importância. Na chuva não se enxerga direito nem mesmo um carro quando é preto, imagina um ciclista que é pequeno. Isso serve inclusive de dica para os pedestres: à noite ou na chuva, é mais seguro andar de roupas claras.

Se tudo isso não lhe desanimou, tem o lado bom:

– Companhia: sempre tem gente correndo na chuva. E pedalando também. Não fica aquele monte de gente, mas nunca fiquei sozinho.

– A sensação: é parecida com aquela de quando você fica numa barraca com chuva. Sempre molha um pouco mas a chuva grossa fica lá fora. A vantagem é que pedalar esquenta. O ar fica menos poluido também. Acho que o sol faz mais mal que a chuva, pois acho mais fácil se proteger da chuva que do sol forte. A sensação na chuva é surreal, eu gosto muito.

– Não há mal tempo: qualquer dia é dia de pedalar, não fico com aquela dúvida se vou conseguir pedalar amanhã. Quase sempre dá, a não ser que junte o frio e a chuva. Aí também é demais até para mim..

É óbvio que não espero a ciclovia lotada em dia de chuva. Mas não tinha NENHUM carro no estacionamento próximo ao Autódromo na Ciclovia Rio Pinheiros que normalmente fica lotado. Também não era para estar tão vazio…

Se você ainda está lendo, ainda não debandou, obrigado. E está convidado a pedalar comigo. Mas se marcar pedal e chover, pode aparecer mesmo. Pelo menos eu vou estar lá !

Um abraço.

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Categorias:Histórias de Pedal
  1. outubro 21, 2011 às 9:17 am

    Meu amigo aqui do trabalho teve o pulso quebrado por causa da ciclovia escorregadia uns três meses atrás.

    Resultado: placa de metal com 9 pinos e umas 50 sessões de fisio…

  2. outubro 22, 2011 às 10:11 am

    Obrigado, isso ajuda a mostrar onde está o real perigo da chuva. O problema maior não é se molhar ou se sujar, mas se machucar. Talvez nessa situação a ciclovia pintada seja mais perigosa que a própria rua, isso deve ser analisado por cada ciclista. A verdade é que quando se pedala regularmente, mais cedo ou mais tarde acaba-se pedalando na chuva. Prefiro andar por locais conhecidos e previsíveis, pois um piso liso é CERTEZA de tombo. Imagine-se em um piso com sabão e é exatamente assim. Tanto em sites nacionais como no exterior, o assunto pedalar na chuva é muito discutido. Procurei no google por “cycling in the rain” com aspas e retornaram 877.000 resultados. Existem também diversos forum nacionais sobre o assunto. À propósito, procurei por “cycling in the snow” e retornaram 464.000 resultados. Pelo menos esse problema não temos por aqui…Desejo melhoras ao seu amigo ciclista, veja se ele nos conta a sua história. Um abraço.

  3. Maísa
    outubro 22, 2011 às 9:14 pm

    Oie!Quero dizer que seu blog está nos meus favoritos (acho que já te disse isso), que finalmente estou lendo o que você escreve e que já coloquei para receber emails quando você escrever novos artigos.
    Beijos
    Maísa!

  4. Fabio
    outubro 23, 2011 às 7:44 pm

    Olá Paulo, minha opinião como cliclista e também como motociclista, é a mesma, com chuva não se brinca, e acredito que a pintura do piso da ciclovia da marginal tem o mesmo nível de perigo quanto a tinta da faixa de pedestre para as motos. Sob chuva forte vira um sabão só…

    Aliás, a grande maioria das bikes que vejo nas ruas tem o desenho do pneu direcionado para melhorar a rolagem, ou seja privilegiando o maior desempenho, em caso de chuva, seria uma boa prática esvaziar um pouco os pneus para melhorar a aderência, como se fazem nas competições de MTB (sem chuva) ?

    Abraço.

  5. outubro 24, 2011 às 6:58 am

    Maísa: fico feliz por você acompanhar o blog. São poucas matérias por semana, é o quanto consigo escrever. Muitas idéias acabam ficando esquecidas por pura falta de tempo, pois não sou muito rápido para escrever. É que preciso pesquisar para confirmar algumas coisas antes da publicação. Um abraço.

  6. outubro 24, 2011 às 7:09 am

    Fabio, sem querer desanimar mas sempre buscando a conscientização do perigo: na chuva existem ainda aquelas poças d’água que podem encobrir buracos grandes. Existem também as superfícies metálicas como tampas de bueiro e grades de ferro que se tornam lisas quando molhadas. Com as motos, a chuva aumenta enormemente o perigo, já fui motociclista em um passado distante. Murchar os pneus um pouco ajuda na aderência, pois aumenta a superfície de contato. Mas Fabio, essas superfícies pintadas são tão lisas que acho que na curva nenhum pneu segura, seja ele fino, grosso, cheio ou murcho…

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