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Bike de aço inox: agora sim, um aço (quase) perfeito


Casati Inox T99 – Ano 2011 (Foto: http://www.ciclicasati.it)

Detalhe do Casati Inox T99 (Foto: http://www.ciclicasati.it)

É muito fácil apaixonar-se por uma bike de aço, usá-la por muitos anos, fazer upgrades e efetuar diversas pinturas. Mas as bikes de aço tradicionais têm esse velho problema: a ferrugem. Embora a corrosão seja muito lenta nos aços de qualidade como Columbus, Reynolds e True Temper, a preocupação existe com certeza. Esses quadros enferrujam por dentro e quando tomam chuva, pingam água marrom dos furos do quadro. Esse processo se acentua quando se mora perto do mar e também no inverno europeu onde é comum jogarem sal no asfalto para evitar o acúmulo de neve.
Mas agora a ferrugem tem solução: o aço inox. São poucos os fabricantes usando esse material, mas quero mostrar dois fabricantes: um é a Casati e o outro é brasileiro, o fabricante de quadros artesanais Klaus Poloni. Pelo que pesquisei, não existem muitos modelos nem avaliações dessas bikes então só consegui ter duas certezas: é muito cara (esse é o defeito) e bem resistente. Esse quadro Inox T99 da Casati pesa 1500 g e custa cerca de US 4.900 o quadro com garfo: Casati-Inox-T99. O preço é parecido com o de uma Litespeed Archon de titânio.
A Casati Inox T99 é feita com tubos de aço Columbus XCRque segundo o anúncio do fabricante tem as seguintes características que traduzo parcialmente: “em substituição ao aço utilizando cádmio que não pôde mais ser produzido por causa do seu processo altamente poluente de fabricação, foi criado um novo aço inox martensítico com alto teor de cromo, molibdênio e níquel em sua liga que melhoram as características mecânicas e de soldabilidade. A estrutura central martensítica contém traços de austenita que reduz a possibilidade de formação de trincas, especialmente no processo de solda.” Continuando:”…etc……etc…Graças à alta rigidez/peso e UTS/peso (obs: teste que mede a resistência à tração) faz desse material, ótimo para fabricar quadros de bicicleta, com relação rigidez/peso melhor que o alumínio e o titânio. Em conjunto com a resistência à corrosão, permite fabricar tubos triple butted (tubos com parede de diferente espessura) para fazer quadros extremamente leves e indestrutívels.”

Para ilustrar, seguem alguns links:

1) Veja o comparativo do aço inox com outros materiais, de uma outra fabricante, a Reynolds (A Casati usa o Columbus: Reynolds rtl_steel_alloys_extract.pdf. Por ser outro fabricante, este é um material diferente do inox da Columbus, mas também é mais resistente e rígido que o cromoly tradicional, alumínio e o titânio segundo o documento.

2) MTB aro 29 de aço inox feito pelo Klaus Poloni, um fabricante artesanal de quadros do Brasil: bikemagazine.com.br/2011/03/klaus-poloni-aro-29

Em termos de mercado, se produzissem em grande escala o preço cairia bastante. Mas por enquanto, custando o mesmo que o titânio, não é produto para a massa. Tanto que nem na internet tem muita opção. No Brasil com o frete, imposto e lucro do distribuidor, pior ainda. Mas pelo menos matou a minha curiosidade, pois sempre me perguntei por que não faziam bikes de aço inox. Cada material conhecido para quadros tem seu ponto fraco mas esse é quase perfeito.

Um abraço.

Categorias:Técnica
  1. mauricio
    janeiro 21, 2012 às 12:33 pm

    BOAS PAULO , DE INOX NEM SABIA QUE EXISTIA, TAI MINHA PROXIMA BIKE COM CERTEZA , UMA BIKE ETERNA PELO MENOS PRA MIM……ABRAÇO.

  2. Paulo Stollar
    janeiro 23, 2012 às 8:39 am

    Você já viu um destes quadros feitos artesanalmente?

  3. janeiro 23, 2012 às 10:55 am

    O Zé Maria da BikeTime tem uma Mercian feita à mão na Inglaterra. Ele tem essa bike há uns 10 anos. É uma bicicleta de cicloturismo de cromoly com componentes XT. Há pouco mais de um ano quando fui na loja, a bike estava impecavelmente revisada para participar de um Audax na Europa e me deixou dar uma volta. O tamanho daquela bike é certinho para mim. Apesar da aparência sugerir que fosse dura, achei a bike extremamente confortável, macia. Acho que o pneu 25C contribuia para isso, assim como o garfo curvo de cromoly. Achei também a posição ótima e o câmbio e freio ótimos, só podia esperar isso de um XT. Senti como se pudesse andar infinitamente sem me cansar. Obviamente demorei muito para voltar…

  4. andre
    janeiro 24, 2012 às 10:49 pm

    Puxa Paulo!
    Fantástico. Aço inox, Fibra de carbono, etc..
    Materiais nobres em veículos do futuro.
    Pena ainda não serem muito “acessíveis”.
    Acredito que já estamos mudando alguns ângulos da grande metrópole.
    Bom pedal e até +.

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