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Pedivelas Compactas – Por que elas fazem tanto sucesso.


Pedivela Shimano Dura-Ace FC-7950 50/34 Compacta (Foto: site do fabricante)

Quando se vê o catálogo da Specialized Tarmac de 2012 que é uma linha de Speed de fibra de carbono, de doze modelos ofertados nove trazem pedivelas compactas de série. Apenas as três mais caras, destinadas a competições de alto nível, trazem pedivelas normais. O mesmo acontece com modelos de outros fabricantes. Em relação a componentes, tanto a Shimano como a SRAM e a Campagnolo oferecem pedivelas compactas em todos os grupos, desde os mais baratos até os top de linha: atualmente existe até Dura-Ace Di2 compacta e Campagnolo Super Record compacta.
O mundo das bicicletas borbulha com evoluções, aparecem novidades todos os dias. Mas de tempo em tempo aparecem grandes mudanças conceituais que revolucionam. As pedivelas compactas, na minha visão, é uma delas. No começo, há alguns anos, essas pedivelas eram oferecidas apenas nos grupos mais simples e até eram consideradas coisas de quem não tinha perna. Mas aos poucos foram conquistando o seu espaço e hoje praticamente dominam o mercado. Repare que quem quiser comprar bike com pedivela tradicional de 53 x 39 hoje em dia até tem dificuldade em encontrar um modelo. Eu vou além: nas estradas, se você ver uma bike com pedivela tradicional, pode apostar que é modelo de alguns anos atrás. Com quase certeza não é 2012.
O que são pedivelas compactas? São pedivelas com os parafusos mais próximos, formando circunferência de 110 mm (11 cm, né?). Isso permite a utilização de coroas menores, mas limita o tamanho das coroas grandes. O tamanho padrão para as compactas são 50/34 enquanto que as pedivelas tradicionais trazem 53/39 ou 52/39. Note que a grande diferença está na coroa pequena, pois a coroa de 34 dá uma relação reduzidíssima com uma catraca 28 por exemplo ou mesmo com uma 25, permitindo vencer sentado as subidas que exigiriam levantar do selim. Mas essa pequena diferença de 53 para 50 na grande é importante também e pedivelas compactas normalmente trazem a menor catraca em 11 ao invés de 12. O fato de trazer 11 dentes na catraca menor é importante, pois alonga a relação de tal modo que não se sente a coroa diminuir para 50. Aliás, se fizer os cálculos a relação
50 x 11 é até mais longa que a 53 x 12 por exemplo.

Specialized Tarmac com coroas 52/36 (Foto: http://www.specialized.com)

As pedivelas compactas estão substituindo aos poucos também as pedivelas triplas – que nunca foram bem aceitas pelos ciclistas de estrada. Acredito que seja porque não são necessárias mesmo. Veja que mesmo nas Mountain Bike os profissionais descobriram que nunca usavam a coroa pequena de 22, foram tirando por conta própria, e hoje praticamente não se usa mais coroas triplas no Cross Country em MTB de competição. As pedivelas triplas de Speed foram bem aceitas pelos cicloturistas, que com suas cargas enormes precisam de mais redução. Mas atualmente até eles estão aderindo às compactas, e quem precisa reduzir mais está usando as transmissões triplas de Mountain bike, essas sim com relação para subir qualquer parede sem esforço.
Analisando um pouco mais o que vem sendo oferecido no mercado em 2012, repare nos catálogos das Tarmac, que elas estão trazendo compactas com 52/36. Isso mesmo, 52 e 36! Chamaram isso de Mid-Compact. Note que conseguiram colocar coroas grandes de 52 dentes em compactas, sendo que no início era considerado muito grande para os parafusos próximos das compactas. Temia-se uma fragilidade e flexão. Com isso tudo, as pedivelas compactas passaram a oferecer uma gama muito grande de relações, pois pode-se trocar as coroas para 50/34 e também variar as catracas que hoje são oferecidas em uma gama enorme que vão desde 11/23 até 11/28 (quase uma MTB). Com o aparecimento de compactas top de linha, os profissionais de estrada ganharam uma importante opção reduzida, pois lembre-se que até Alberto Contador chegou a usar uma catraca de 32 dentes (!!!) no reconhecimento do percurso do Giro d’Italia, um dos percursos mais duros do mundo, com inclinações maiores até do que no Tour de France.
Então as pedivelas tradicionais com parafusos em circunferência de 130 mm vão desaparecer? Por enquanto, parece que não. Um lugar em que as pedivelas tradicionais não podem ser substituidas é justamente nas competições de alto nível. Nesse ponto, não acho coerente pensar em substituições mas em convivência, com cada uma sendo utilizada de acordo com a situação. Na linha Dura-ace as coroas grandes são oferecidas em 52,53,54,55 e 56 dentes. Esses “panelões” não são para as compactas com certeza. Mas os profissionais precisam de coroas tão grandes? A resposta é SIM, dependendo do estilo, terreno, e até em “time trial”. Lembre-se de que eles são super-homens, nem tente se comparar com essas pessoas com batimento cardíaco em repouso de 28 bpm (Miguel Indurain), 32 bpm (Lance Armstrong) –  veja em Lance Armstrong – Avaliação Física do Início da Carreira . Mas como já li em algum lugar: as máquinas dos super-homens não são para simples mortais.
Um abraço.

Categorias:Técnica
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