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Sua mãe pedala?


Se você mora em alguma cidade grande, provavelmente sua resposta é NÃO.

Se você fizesse a mesma pergunta no Japão, a resposta provável seria: “SIM, ela vai às compras todos os dias de bicicleta. Assim como a minha AVÓ.”

Mas por que isso acontece? Com certeza NÃO é porque os carros respeitam os ciclistas lá, nem é por causa das ciclovias. É porque existe uma diferença conceitual grande: os ciclistas no Japão pedalam na CALÇADA. E em velocidades muito baixas, sem NENHUM risco de atropelamento nem pressão dos carros buzinando na traseira. O risco que um ciclista corre lá é parecido com o de um pedestre na calçada, o que é totalmente diferente do ciclista em São Paulo.

Recentemente o esforço das autoridades no Japão tem sido no sentido dos ciclistas mais rápidos pedalarem nas ruas junto com os carros. Isso porque começaram a ocorrer muitos acidentes entre os ciclistas e os pedestres. Mas pelo que os amigos de lá me contam (eu morei lá mas faz muitos anos então confirmo com eles, pois posso estar desatualizado), o pessoal pedala mesmo é na calçada.

Obviamente o ideal seria ter ciclovias em todas as ruas, mas sabemos que isso é impossível por falta de espaço.

É importante a discussão sobre o uso da calçada por bicicletas, porque aqui em São Paulo isso tem aumentado, especialmente nos bairros onde as calçadas são melhores como a zona sul. Veja a região da Vila Clementino, Vila Mariana e Paraíso por exemplo, o número de ciclistas na calçada só aumenta. Lembre-se que, pela nossa legislação de trânsito, só é permitido pedalar na calçada se houver sinalização. Mas se as calçadas forem todas rebaixadas para os cadeirantes e carrinhos de bebê, a tendência é que muitos ciclistas também sigam por lá.

Acho que a bicicleta deve ser um meio de transporte também das crianças, das senhoras e dos senhores de idade, não apenas dos ciclistas esportivos com grande habilidade para fugir dos carros. Se uma bicicleta a 40 km por hora é mais parecida com uma moto e deve compartilhar a rua, uma bicicleta em baixa velocidade é mais parecida com um pedestre e deveria compartilhar a calçada (boas calçadas rebaixadas e sem obstáculos). Mesmo que ocorram eventualmente esbarrões entre ciclistas lentos e pedestres, os resultados nem se comparam ao de um carro atropelando um ciclista. Pedalei por três anos diariamente no Japão e nunca vi um ciclista atropelando um pedestre. No Japão, resolveram diversos problemas de uma só vez: o dos cadeirantes, pedestres e ciclistas, todos compartilhando a calçada. Resultado: todos pedalam, ninguém morre atropelado…

Por último: minha resposta é SIM: minha mãe com quase sessenta anos pedalava diariamente no Japão, indo para todos os lugares. E NÃO: hoje mora em São Paulo, então é complicado…ela ainda tem duas bicicletas e até poderia levar no parque. Mas o grande barato dela era usar no dia-a-dia…
Um abraço.

Veja também:

A bicicleta no Japão

Como fazer uma ciclovia de verdade

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