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O livro bomba do Tyler Hamilton


Livro “A corrida secreta” de Tyler Hamilton e Daniel Coyle

Esse livro causou um grande alvoroço entre os amantes do ciclismo, basta procurar no Google para ver. Estou chegando um pouco atrasado com este artigo mas foi o tempo necessário para comprar pelo correio e ler. Para compensar, caprichei na foto…

Tyler Hamilton foi um ciclista que se destacou na época do Lance Armstrong e correu pela US Postal Services entre 1995 e 2001, dos quais foi companheiro de Lance Armstrong durante quatro anos. Foi também vizinho dele, morando no piso superior do mesmo prédio. A carreira do Hamilton é marcada por bons resultados mas também por diversas acusações de doping.

Daniel Coyle, que entrevistou Hamilton para escrever o livro, é excelente, com uma linguagem precisa e agradável. Eu já o conhecia de um livro de uns dez anos atrás, “Lance Armstrong’s War”, onde em algumas passagens ele cita Hamilton.

Neste livro “The Secret Race”, Hamilton conta em detalhes tudo o que acontecia nos bastidores das grandes corridas, falando abertamente de doping e não poupando ninguém. Ele cita diversos nomes de atletas, médicos e equipes, onde Lance Armstrong aparece em destaque. O livro esclarece todas as coisas em relação ao doping que desconfiávamos mas que não tínhamos certeza. E acrescenta um monte de outras coisas que nós nem podíamos imaginar.

Vou traduzir um pequeno trecho:

“Os rumores não me impressionaram tanto quanto a velocidade – a implacável, brutal, velocidade mecânica. Eu não estava sozinho. Andy Hampsten estava conseguindo a mesma potência que no ano anterior, ano em que ele ganhou as grandes corridas. Agora, produzindo aquela mesma potência, ele estava lutando para ficar entre os quinze primeiros. Hampsten, que foi incondicionalmente contra doping, e que iria logo se aposentar na idade de trinta e dois anos ao invés de se dopar, tinha uma boa visão das mudanças.

Andy Hampsten: No meio dos anos oitenta, quando cheguei, os ciclistas estavam se dopando mas ainda era possível competir com eles. Eram ou anfetaminas ou anabilizantes – ambos eram poderosos, mas tinham lados negativos. Anfetaminas faziam os ciclistas ficarem estúpidos – eles lançavam ataques loucos, acabavam usando toda a energia. Os anabolizantes tornavam os ciclistas inchados, pesados, machucavam a longo termo, sem mencionar aquelas horríveis erupções na pele. Eles eram super fortes em tempo frio, em corridas mais curtas, mas nas longas e quentes corridas, os anabolizantes arrastavam eles para baixo. Então, resumindo, um ciclista limpo podia competir com eles numa grande corrida de três semanas.

EPO mudou tudo. Anfetaminas e anabolizantes não eram nada comparados ao EPO…”.

Um outro trecho do livro cita o incrível desempenho do Lance Armstrong e encontrei esse trecho da corrida no Youtube, veja à partir do 20.o minuto mais ou menos:

O desempenho do Lance é extraordinário, como descreve o livro.

A importância desse livro para mim é que ele mudou a forma de eu ver as corridas de bicicleta daquela época, pois além dos túneis de vento, dos treinos no vácuo das motos e musculações, os diversos métodos (ilegais) de aumento de performance faziam parte da rotina das equipes, dos médicos e dos ciclistas. Não que eu acreditasse que isso não existisse, mas o que me impressionou foi a escala em que isso era feito.

Acredito que esse livro contribui para a melhoria do ciclismo, na busca por uma competição mais segura e justa.

Vou parar com as minhas opiniões por aqui, para não misturar com o conteúdo do livro.

Um abraço.

  1. Fabio
    setembro 29, 2012 às 10:14 pm

    Olá, só para descontrair um pouco a respeito deste assunto, nesta disputa que mostra o video do youtube entre Lance Armstrong e Marco Pantani (um dos melhores escaladores da época), o Pantani foi desleal pois ele tinha uma vantagem aerodinamica em relação ao Armstrong…
    Abraço.

  2. outubro 1, 2012 às 8:50 am

    Ah ah…considerando que a UCI pega no pé até de quem usa a mochila de hidratação no peito ao invés das costas, talvez já estejam de olho nisso…Por curiosidade, pesquisei no Google: parece que a calvície está relacionado com a testosterona. Lembre-se de que essa foi (é?) uma substância ilegal usada no ciclismo…mas não deve ter relação, eu que inventei essa. Outra curiosidade: os homens caucasianos são bem mais sucetíveis à calvície que os orientais por exemplo. Um abraço.

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