Início > Outros de Ciclismo > Como fazer um adaptador para V-Brake

Como fazer um adaptador para V-Brake


Adaptador para cabo de V-Brake

Esses adaptadores são úteis para os freios traseiros de bikes antigas, como por exemplo, as Specialized Stumpjumper de 1993 ou 1994 e as Mongoose IBOC de 1994. Mas acredito que possam ser úteis para outros modelos da época porque era moda cada fabricante inventar a sua própria maneira de passar os cabos. Para citar outro exemplo, o cabeamento da minha GT Karakoram é extremamente peculiar, talvez um adaptador desse seja útil algum dia para mim. Como um leitor me escreveu perguntando a respeito, entrevistei o Paulo Francisco (de São Caetano) pelo Skype e publico aqui o conteúdo com a sua autorização:
[15:01:29] Paulo Ciclista: paulão
[15:01:53] Paulo francisco: Olá como vai vc.
[15:02:35] Paulo francisco: Andaste sumido.
[15:02:48] Paulo Ciclista: tudo bem. Tem um cara que tem uma Mongoose igual a sua e pergunta como você fez o adaptador para V-Brake.
[15:04:01] Paulo francisco: Hmm,diga a ele que eu adaptei usando uma braçadeira comercial.


[15:10:49] Paulo francisco: É,na verdade eu não fiz um desenho da peça,já que era uma só e pra meu uso.Se vc quiser me apresente a ele e eu faço um croqui do suporte.


[15:12:14] Paulo francisco: Vc se encontra frequentemente com ele ?
[15:12:47] Paulo Ciclista: Não. É leitor do blog.
[15:14:46] Paulo francisco: Ah, aí é difícil;mas vamos lá, pra fazer a tal peça é necessário uma certa habilidade e ferramentas, por acaso êle teria ?
[15:15:28] Paulo Ciclista: Ah ah, não sei. Começa falando o tipo de braçadeira que você usou. Parece aço inox.
[15:22:51] Paulo francisco: Olha,primeiro comprar uma braçadeira de aço inox na Florêncio de Abreu (nota:uma rua de São Paulo onde tem muitas lojas de ferramentas), em seguida conseguir um tarugo cilíndrico também de inox.Fazer com o tarugo uma peça idêntica àquela que apoia o conduite e está soldada no quadro,finalmente soldá-la com solda prata.Tudo isso é possível de ser feito com ferramentas simples exceto a solda que poderia ser numa oficina.
[15:23:28] Paulo Ciclista: E esse tarugo, onde arrumou?
[15:24:14] Paulo francisco: Num ferro-velho de inox,por incrível que pareça existe.
[15:24:52] Paulo Ciclista: Como ficou no formato certo?
[15:25:46] Paulo francisco: Perfeito, do mesmo tamanho.
[15:26:05] Paulo Ciclista: Como você fez para ficar no tamanho certo?
[15:26:40] Paulo francisco: Já comprei o tarugo na medida.
[15:26:57] Paulo Ciclista: Mas isso foi muita sorte, não?
[15:28:01] Paulo francisco: Não muita,existe uma infinidade de tamanhos e sempre haverá algum que se aproxime.
[15:28:20] Paulo Ciclista: Mas não teve que tornear ou furar nada?
[15:36:52] Paulo francisco: Fiz assim:cortei um pedaço do tarugo um pouco maior,coloquei-o no mandril da minha furadeira de bancada. Com uma lima e a furadeira girando arredondei a ponta,retirei da furadeira prendi com um alicate de pressão e furei longitudinalmente com um diâmetro para passar o cabo,a seguir da mesma forma alarguei com uma broca maior o furo inicial (sem trespassá-lo) com a medida do conduite e finalmente com uma serra fiz um talho longitudinal para encaixar o cabo.Uma limadinha aqui acolá lixa e está pronto para soldar.
[15:38:33] Paulo francisco: A,esqueci de dizer para cortar o excesso de comprimento após retirá-lo do mandril.
[15:39:13] Paulo Ciclista: E a braçadeira? Foi difícil para cortar o excesso?
[15:41:08] Paulo francisco: Não não, há vários comprimentos de braçadeiras,o importante é comprá-la na largura que combine com a peça.
[15:41:39] Paulo Ciclista: E a solda? É difícil de encontrar?
[15:43:29] Paulo francisco: Não acho,qualquer oficina que tem maçarico faz soldas com prata,no meu caso eu mesmo fiz.
[15:46:14] Paulo francisco: É claro que a natureza fez de tudo pra me atrapalhar,fechou a maioria dos ferro-velhos,afastou as lojas de soldas,sumiu com as braçadeiras etc,mas eu estou habituado com essas dificuldades.
[15:46:46] Paulo Ciclista: ah ah ah…você é persistente…
[15:47:06] Paulo Ciclista: posso colocar essa nossa conversa no blog?
[15:47:26] Paulo francisco: Ciclista né,claro que pode.
[15:48:24] Paulo francisco: Ciclista está habituado com as dificuldades,ainda mais onde a gente vive né.
[15:48:40] Paulo Ciclista: ah ah…aqui tudo é mais difícil e caro…


Acho muito interessante essas dicas do Paulo Francisco porque mostra a sua criatividade no desenho da peça e a persistência na procura pelos materiais. Acredito ser uma filosofia aplicável a muitos outros casos, no intuito de melhorar a amada bike.
Um abraço
Leia também: Mais que uma volta ao mundo – Uma bike com 50000 km

 

Categorias:Outros de Ciclismo
  1. Valdemir Leal da Rocha
    fevereiro 3, 2013 às 9:38 am

    Está muito claro!! Puxa vida!! Obrigado pela ajuda!!
    Parabéns!!
    Eu sou o “cara” referido na conversa

  2. fevereiro 8, 2013 às 12:41 pm

    Olá Valdemir, o Paulo Francisco pediu para lhe enviar os dados de contato. Vocês são os dois únicos que conheço que têm esse modelo, você podia mandar uma foto para colocar na seção de bike dos leitores no blog. Lembro muito bem de quando as Mongoose entraram no país, era uma época em que as bikes de alumínio conviviam com bikes de cromoly e as bikes da Mongoose eram chique, tinham um desenho e uma pintura caprichada. Se não me engano, uma das suas principais características era o “monostay”. Os seat stays se juntavam antes de serem soldados no tubo de selim. Eu vivia nas lojas babando por esses modelos. Um abraço.

  3. Paulo Cesar
    julho 15, 2013 às 10:27 am

    Nós usuários de V-Break somos muito discriminados, em parte por outros bikers e até mesmo por bicicletarias.

    Explico: tenho 02 MTB com V-Break, as duas com garfos rígidos e pneus slick 1.75, são ótimas para asfalto e dá até para pegar um estradão de terra em dias de sol.

    Eu prefiro um bom V-Break com sapatas de qualidade a um disco mecânico, qualquer que seja ele.

    Acho que o V-Break só perde mesmo para os hidráulicos.

    A culpa desta discriminação é destas bicicletarias de bairro que empurram os horrendos discos mecânicos WG ou Zoom nos incautos, então todos acham que freio a disco é a melhor coisa do mundo, mesmo que seja um disco mecânico pesado e que empena a toa, além de não frear nada quando esquenta.

    Alguns bikers também olham com certo desprezo para os V-Break e mais de uma vez elogiaram minha bike com a inevitavel observação: “vai ficar boa mesmo é com freio a disco”.

    Me recuso a trocar meus V-Breaks por discos mecânicos.

    Abaixo a ditadura do freio a disco.

    OBS: tenho Hidra em outras 02 MTB.

    • janeiro 12, 2015 às 5:47 am

      Para utilização em asfalto e estrada de terra de boa qualidade, os V-Brake funcionam tão bem quanto o disco. As vantagens são: preço, simplicidade e durabilidade muito grande das sapatas, especialmente quando utilizadas em asfalto. Temos diversos casos concretos de pessoas pedalando regularmente por 10 anos ou dezenas de milhares de quilômetros utilizando as mesmas sapatas. Eu mesmo sou um desses exemplos, mas com cantilevers e sapatas koolstop. Um outro colega tem obtido a mesma durabilidade com V-Brake e sapatas da mesma marca.
      Por outro lado, as vantagens do disco são: manter-se limpos em trilhas de barro, não perder eficiência com chuva, poder rodar com rodas ligeiramente tortas por impactos, poder rodar com rodas de diâmetros diferentes (27.5 por exemplo). Além disso, atualmente é um padrão mais difundido, pois praticamente todas as Mountain Bike melhores vêm com disco.

  4. luciane
    janeiro 11, 2015 às 5:51 pm

    olá Paulo?! tenho um filho de 4 anos, ele é cadeirante. Preciso de uma informacao sobre tamanho de pneu. Preciso comprar nesta semana oneus para cadeira de rodas. é uma cadeira de competicao de basquete, as medidas que possui no pneu existe sao: 20X1 da marca cst., os pneus ja estao na lona e preciso urgente e nao consigo encontrar em lugar algum, nem fora do brasil. a vantagem deste pneu é que proporciona agilidade e rapidez.
    Encontrei o aro vinte,mas nao consigo saber qual é o mais proximo desta espessura 1.
    entao minha duvida é, qual espessura é a mais proxima da original?: (1.35Kojak) (1.1/8kenda e continental) (1.40tioga).
    outra duvida é: com camara ou sem?

    • janeiro 11, 2015 às 7:27 pm

      Olá Luciane, dentre os que você listou, o mais próximo de 20×1 é o 20×1 1/8.
      Isso porque 1 1/8 corresponde a 1.125 que é aproximadamente 1.1. Deve ser de uma largura muito próxima ao 1. Ligeiramente mais largo.
      Quanto à câmara, eu manteria o sistema atual, devido ao tempo escasso para fazer experiências. Atualmente está com câmara? Se estiver, as mesmas câmaras devem servir, apesar que em geral se recomenda a troca junto com o pneu. Em geral, se estiverem em bom estado, postergo a troca.
      Um abraço,
      Paulo

  5. luciane
    janeiro 12, 2015 às 11:08 am

    eu to meio em duvida.
    aro 20 aqui no brasil é o mesmo 20″ polega nos USA????

    • janeiro 12, 2015 às 11:19 am

      É o mesmo. A cadeira do seu filhinho, que é criança, deve ser bem pequena.

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: